Nós lemos Madeira!

Nesta atividade, cada aluno do 6.º ano de escolaridade, na disciplina de Português, escolhe livremente uma obra da biblioteca de turma, explorando autores nacionais, estrangeiros e, em especial, literatura madeirense. Após a escolha, preenche uma folha de requisição e regista o empréstimo com o seu cartão de leitor. A leitura culmina na elaboração do projeto “Conta‑me(,) Madeira!”, onde o aluno apresenta a obra de forma criativa, pessoal e consciente, valorizando a identidade regional e o prazer de ler.

Pretende-se valorizar a identidade regional, aproximando os alunos das vozes, temas e paisagens literárias da Madeira; despertar curiosidade pela leitura, através de textos acessíveis e excertos desafiantes que ampliam horizontes; promover o contacto com autores madeirenses, reconhecendo a diversidade e riqueza cultural da ilha; desenvolver competências de interpretação, comparando literatura regional com obras nacionais e estrangeiras; estimular o pensamento crítico, através de excertos mais maduros que permitem discutir temas de forma orientada; criar hábitos de leitura autónoma, incentivando cada aluno a construir o seu próprio percurso literário e fortalecer o sentimento de pertença, mostrando que a literatura também nasce do lugar onde vivem.

E assim, quando é ‘aberta’ a porta da biblioteca, instala-se uma pequena revolução literária. Não entra apenas uma fila de alunos, entra uma corrida de corações inquietos, cada um decidido a conquistar o seu livro como quem disputa um tesouro antigo. Há sempre quem lute pelo mesmo exemplar – não por obrigação, mas por desejo genuíno. Uns querem-no porque já apertaram a mão ao escritor, numa daquelas manhãs em que a aula de Português se transforma em encontro com o mundo. Outros apaixonam-se pelas ilustrações que parecem respirar, ou pelo cheiro de livro antigo que guarda histórias de outras mãos.

E depois há os que escolhem simplesmente porque é literatura da terra, espólio que lhes fala ao ouvido desde o 5.º ano, quando a professora lhes começou a ser semeada a ideia de que a Madeira também escreve, também sonha, também conta.

A cada requisição, há um brilho nos olhos — uma espécie de orgulho silencioso, como se cada livro fosse uma chave para entender melhor o lugar onde vivem. E é nesse instante que tudo vale a pena: esta atividade não é apenas leitura. É pertença, descoberta e identidade. É o momento em que os alunos se tornam guardiões das suas próprias raízes.

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