DE ÍTACA AO TEATRO: A ODISSEIA DE ULISSES CONTADA E CANTADA NO PALCO!

“Diz-se que, nesses tempos de antigamente, não houve homem que mais sofresse e mais feliz fosse do que o espantoso Ulisses.” Disto puderam certificar-se os nossos alunos de 6.º ano, que, recebidos com pompa e circunstância no Salão Nobre do Teatro Municipal Baltazar Dias, se viram presenteados com uma odisseia cantada e contada através da melancolia do Fado e da magia das marionetas, que deram vida e alma às aventuras do herói de Ítaca.

Esta epopeia clássica chega-nos recheada de aventuras, ciclopes, sereias, feiticeiras e outros obstáculos que afastam Ulisses da sua Penélope. Assim contou, cantou e encantou a Afrodite dos tempos modernos, proporcionando às nossas crianças uma viagem sensorial, tecendo, entre acordes de fado e movimentos delicados, um tapete de sonhos que transportou os nossos alunos até às margens de Ítaca.

Ulisses, o herói que salvou Helena e a devolveu a Menelau, derrotando o astuto e ambicioso Páris, é-nos apresentado de uma forma inovadora, pela companhia Rodopio d’Ideias, em que a tradição clássica se vê imbuída de uma nova identidade: a da cultura portuguesa, que, pelas mãos do Fado, consegue transformar a saudade do herói numa melodia que atravessa o mar e o tempo. Através dessa melodia e do movimento expressivo das marionetas, os alunos são transportados para um cenário onde a determinação de Ulisses se funde com a alma lusitana.

Nesta simbiose perfeita, a narrativa de Maria Alberta Menéres saltou do papel para o palco, revelando que a odisseia do herói é, afinal, um fado de persistência e amor que continua a encantar e a educar as novas gerações.

Pretendeu-se, assim, motivar e consolidar a leitura e compreensão da obra “Ulisses”, de Maria Alberta Menéres, através da linguagem artística; reforçar o imaginário da Odisseia, identificando personagens e episódios marcantes da narrativa e estabelecendo pontes com a mesma; valorizar a cultura portuguesa, cruzando a literatura com o Fado e a arte das marionetas e desenvolver o espírito crítico e a literacia artística dos alunos, através da apreciação de espetáculos ao vivo.

O entusiasmo dos alunos foi visível em cada olhar atento e em cada sorriso cúmplice. Deixaram-se envolver pelo silêncio respeitoso que a voz do fado impõe, perdendo-se na coreografia delicada das figuras articuladas. Ver o herói que conheceram nas páginas do livro ganhar vida diante dos seus olhos foi uma experiência que transformou a teoria em emoção, provando que os clássicos, quando tocados pela arte, continuam a ser o melhor caminho para encantar o coração das novas gerações.

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